Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário
No dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo encontraram uma cápsula de césio-137 em um prédio abandonado em Goiânia. A tragédia familiar é recontada no curta-metragem Lourdes e Leide, exibido no Festival Bonito CineSur, no Mato Grosso do Sul.
Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário
O documentário Lourdes e Leide, do diretor Angelo Lima, reacende a tragédia do césio-137 em Goiânia. A história acompanha o cotidiano de dona Lourdes, que perdeu a filha Leide, de 6 anos, e recentemente o filho Lucimar, vítimas do maior acidente radiológico do Brasil, iniciado em 13 de setembro de 1987.
Como começou o maior acidente radiológico do Brasil
No dia 13 de setembro de 1987, há quase 40 anos, dois catadores de lixo, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves, entraram no prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no centro de Goiânia. Eles encontraram um equipamento de radioterapia abandonado e o levaram para a casa de um deles.
Ao remover o lacre da cápsula, encontraram um pó semelhante a sal de cozinha, que emitia um brilho azul intenso no escuro. Era o césio-137, um material radioativo.
A substância que causou uma tragédia familiar
Sem saber da gravidade, os catadores venderam o material para um ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que também ficou encantado com a luminosidade. Devair apresentou a descoberta à esposa e distribuiu para familiares e amigos.
As pessoas manipulavam o material, causando sintomas como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia. O irmão de Devair, Ivo Ferreira, levou um pouco da substância para a filha, Leide das Neves, que ingeriu as partículas do césio.
A menina morreu poucos dias depois, em 23 de setembro de 1987. Ela precisou ser enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação que seu corpo ainda emitia. Além dela, outras três pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição.
O documentário Lourdes e Leide e as consequências
Filmado no ano passado, o curta-metragem Lourdes e Leide, do diretor Angelo Lima, acompanha o cotidiano solitário de dona Lourdes, tomado pelas memórias da filha. A obra foi exibida no Festival Bonito CineSur, no Mato Grosso do Sul.
Nesta última semana, dona Lourdes perdeu mais um filho, Lucimar das Neves Ferreira. Ele tinha 14 anos na época do acidente. Segundo o diretor, Lucimar foi internado e ganhou uma pensão do Estado, mas começou a beber muito e teve um enfisema pulmonar violento.
O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves, lamentou a perda. "A gente se entristece porque, com essa perda, tudo relembra aqueles dias difíceis", disse, em vídeo publicado nas redes sociais da associação.
A culpa do Estado e o esquecimento da sociedade
O diretor Angelo Lima é enfático: "Eu sempre culpo o Estado. Eu não vou culpar os catadores, nem vou culpar a família. Essa é uma tragédia que eles não tinham dimensão do que era."
Segundo ele, a família sofreu preconceito. "Na rua, as pessoas falavam: 'olha aí o pessoal do Césio' e trancavam as portas. Eles tiveram que se mudar várias vezes."
Lima acredita que a tragédia "poderia acontecer com qualquer um" e que, em termos governamentais, nada mudou. "As pessoas esqueceram disso rapidamente, porque quiseram esquecer rapidamente. E não tiveram humanidade", completou.
A exibição no Bonito CineSur e a exposição de fotos
O curta Lourdes e Leide foi exibido na noite de segunda-feira (27), no Bonito CineSur, festival que acontece até sábado (1º) em Bonito. Além da exibição, o festival promove uma exposição de fotos que ajuda a contar a história, incluindo imagens de Leide e de seu enterro.
"No enterro da Leide, chegaram a jogar pedras", contou o diretor. Para ele, a sociedade brasileira precisaria estar mais preparada para enfrentar situações como essa.
Perguntas Frequentes
O que foi o acidente com o césio-137 em Goiânia?
Foi o maior incidente radiológico da história do Brasil, iniciado em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de lixo encontraram uma cápsula de césio-137 abandonada no Instituto Goiano de Radioterapia (IGR).
Quem são Lourdes e Leide?
Lourdes é a mãe de Leide das Neves, uma menina de 6 anos que morreu em 23 de setembro de 1987 após ingerir partículas de césio-137. O documentário acompanha o cotidiano de Lourdes.
Quantas pessoas morreram no acidente do césio-137?
Além de Leide, outras três pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição. Recentemente, Lucimar das Neves Ferreira, que tinha 14 anos na época, também faleceu.
Onde foi exibido o documentário Lourdes e Leide?
O curta-metragem foi exibido no Festival Bonito CineSur, no Mato Grosso do Sul, na noite de segunda-feira (27).
O que o diretor Angelo Lima diz sobre o acidente?
Ele culpa o Estado e afirma que a tragédia "poderia acontecer com qualquer um" e que a sociedade brasileira não está preparada para situações como essa.
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