Crítica · Bastidores

Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

ResumoMuseu do Pontal superou enchentes, pandemia e falta de recursos para completar 50 anos em 2026. A instituição migrou da antiga sede no Recreio para a Barra da Tijuca, consolidando um espaço de encontro e convivência dedicado à arte popular brasileira. A trajetória demonstra resiliência institucional e valorização do patrimônio cultural.

Museu do Pontal superou enchentes, pandemia e falta de recursos para completar 50 anos em 2026. Da antiga sede no Recreio à nova casa na Barra da Tijuca, a arte popular ganhou um espaço de encontro e convivência.

Helô Sampaio
Helô Sampaio Jornalista de cultura · 29 de agosto de 2026
Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular
8.5/10
VereditoMuseu do Pontal superou enchentes, pandemia e falta de recursos para completar 50 anos em 2026. Da antiga sede no Recreio à nova casa na Barra da Tijuca, a arte popular ganhou um espaço de encontro e convivência.

O Museu do Pontal, espaço dedicado à arte popular brasileira, celebra meio século de fundação em 2026. A trajetória inclui enchentes na antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes, pandemia e falta de recursos, superados com uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas.

A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio original deixou o terreno mais baixo que os vizinhos. O acúmulo de água virou constante mesmo após uma grande reforma em 2009. "Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura", relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque à Agência Brasil.

Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos paralisou as obras por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, com até 1 metro de água nas instalações internas. Sem dinheiro para reparar os danos, a instituição se salvou por meio de doações de mais de 1 mil pessoas e empresas.

A nova sede foi inaugurada em outubro de 2021, após 10 anos de processo. "Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados", afirmou Lucas. No meio do caminho, a pandemia de covid-19 não parou o museu: os diretores promoveram encontros virtuais com artistas de vários estados, um alívio para quem estava recluso.

Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca com o conceito de Museu Praça, um lugar de encontro e convivência, com diálogo entre artes plásticas populares e manifestações de dança e música. "Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar", explicou Lucas.

A diretora Angela Mascelani destaca que, desde 1976, a coleção do francês Jacques Van de Beuque valoriza a produção das camadas populares. "A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores", contou. A exposição que marcou o início das atividades, com peças compradas por Jacques ao vir morar no Brasil, passou antes pelo Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, o que deu mais reconhecimento à mostra. "Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte", avaliou Angela.

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