# Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil

> O Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, apresenta exposição com 30 fotografias de Alice Oliveira sobre movimentos feministas e LGBTQ+ do Brasil e da América Latina nos anos 1980 e 1990. A mostra resgata a história dessas lutas sociais por meio de registros documentais. A entrada é gratuita no espaço localizado na Estação República do Metrô.

*Festa do Teatro · Bastidores · 25 de agosto de 2026 · Helô Sampaio*

O Museu da Diversidade Sexual abre exposição com 30 fotografias de Alice Oliveira, resgatando a história dos movimentos feministas e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990 no Brasil e na América Latina.

O Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, inaugura nesta quarta-feira (19), Dia do Orgulho Lésbico, a exposição "Acervo Alice Oliveira". A mostra reconhece o trabalho de mais de quatro décadas da ativista e fotógrafa, cujos registros resgatam a história dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990, no Brasil e na América Latina.

A exposição reúne 30 fotografias que ajudam a reconstruir a história desses movimentos a partir de encontros, manifestações, articulações políticas e redes de solidariedade. Além das imagens, o acervo inclui negativos, documentos e registros audiovisuais. O material de Alice Oliveira ficou esquecido por muitos anos; inicialmente, a ativista não se enxergava como fotógrafa, e por isso o processo de digitalização e catalogação só ocorreu recentemente.

Segundo o curador da exposição e pesquisador do acervo, Pedro Vieira, quando se trata da história de grupos dissidentes, que não se enquadram no padrão cis-heteronormativo, existem muitos lapsos de memória, justamente pela ausência de registros. "Os registros, tanto de documentação, como fotográficos, são fundamentais para que a gente possa reconstruir nossa história. Pensando em quem eram as pessoas que estavam nesses eventos, quem eram os ativistas e o que estava sendo pautado, a gente consegue entender como chegamos até aqui", explicou Pedro.

Através do acervo, é possível visualizar como o movimento LGBT+ evoluiu com o tempo. Algumas fotos ilustram a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), que aconteceu pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1995. No final do encontro, em junho daquele ano, os participantes partiram para a Orla de Copacabana e realizaram um enorme ato, o maior que havia acontecido no país até então. Muitos historiadores consideram aquela manifestação a primeira parada do orgulho do Brasil.

O acervo também reúne momentos importantes da luta feminista. No final dos anos 1980, Alice ajudou a organizar o 3º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho em Bertioga, que a ativista conta ter sido o primeiro grande contato do movimento brasileiro com o restante do continente. Ela também participou de dois encontros em El Salvador: "esses encontros proporcionaram um momento de fortalecimento a mulheres que não têm essa realidade no dia a dia, reunindo desde indígenas e quilombolas até intelectuais e parlamentares".

Hoje, aos 70 anos, Alice direciona sua militância para a defesa de idosos LGBT+ em conselhos e espaços de políticas públicas. Ela defende que o movimento atual precisa de união, maturidade e clareza, deixando de lado disputas por poder. Para ilustrar a importância da união, ela cita uma metáfora que aprendeu com a Cacique Pequena, primeira mulher cacique do Brasil, do povo Jenipapo-Kanindé: um graveto sozinho se quebra facilmente, mas quatro ou cinco gravetos juntos não se quebram.

## Serviço

- Exposição: Acervo Alice Oliveira
- Abertura: 19 de agosto de 2026
- Encerramento: fevereiro de 2027
- Local: Museu da Diversidade Sexual
- Horário: das 10h às 18h (terça a domingo)
- Ingressos gratuitos: Sympla

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Fonte (canonical): https://festadoteatro.com.br/bastidores/exposicao-sp-reune-fotos-movimentos-feministas-brasil/
