Eventos literários se firmam como espaços de encontro e visibilidade
Longe dos grandes centros, festivais literários reúnem milhares de pessoas para discutir e consumir literatura. Em Caxias do Sul, o III Festival Internacional do Leitor Quindim espera 80 mil visitantes até domingo (23), com 170 atividades e 12 dias de programação.
Longe dos grandes centros, festivais literários têm reunido milhares de pessoas para discutir, consumir e mergulhar em literatura por alguns dias. Com leitores, escritores, ilustradores, editores, revisores e livreiros, as feiras e festas movimentam o mercado de livros, colocam as cidades que as recebem no centro cultural do país e alteram a rotina de moradores e escolas. Promovem, sobretudo, encontros.
Sediado em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o III Festival Internacional do Leitor Quindim traz essa premissa no tema deste ano: "O encontro nos faz existir". Idealizado pelo escritor Volnei Canônica, o festival vai até o dia 23 e espera receber 80 mil pessoas. Canônica conta que o evento nasceu pequeno, com a preocupação de interiorizar o diálogo sobre literatura, muitas vezes centrado no Sudeste e nas capitais.
"Quando a gente pensou em fazer um festival, a ideia era como trazer para o interior, como poderíamos fazer esse deslocamento de grandes nomes que pensam a literatura no Brasil para dialogar com esse público diverso, que fica mais no interior", afirmou. "Começamos a construir um festival que era pequeno, depois a segunda edição se tornou bem maior e essa terceira edição conseguimos transformar em internacional", acrescentou, citando convidados do Chile, do Equador, da Colômbia e do Irã.
Ao longo de 12 dias, os visitantes terão mais de 170 atividades, como rodas de conversa, sessões de autógrafos e contação de histórias. Entre os destaques, está a Caravana do Leitor Quindim, que levará 900 estudantes de escolas públicas ao evento para encontros com escritores convidados. "Quando a gente faz um evento que não é de dois, três dias, mas de 12, é porque queremos que reverbere essa questão da leitura na sociedade", diz o organizador.
A interiorização também importa para autores locais, que nem sempre chegam às grandes editoras. A escritora Maya Falks, nascida em Caxias do Sul, publica por editoras pequenas e celebra a realização de um festival internacional no "quintal de casa". Autora de mais de 30 livros e vencedora do Prêmio Vivita Cartier em 2021, ela escreve desde criança e vê no evento uma chance de furar a bolha central do mercado editorial. "Ninguém sai perdendo nessa história. Todo mundo sai daqui melhor do que entrou", disse.
Elaine Cavion, também escritora de Caxias do Sul, defende a diversificação do mercado e vê nos encontros um momento em que "o livro se abre". "Estamos aqui, no interior do Rio Grande do Sul, escrevemos, fazemos boa literatura, premiada também", afirmou. O festival segue até domingo (23).