Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor; veja impacto
Em entrevista à Agência Brasil, o poeta e educador André Gravatá afirma que a poesia na infância alimenta a sensibilidade e o espanto. O livro 'Pelos Olhos de Orides' (Hedra) adapta a obra da poeta para crianças, unindo literatura, arte e natureza.
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá
Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando e se espantando. A afirmação é do poeta e educador André Gravatá, em entrevista à Agência Brasil. Ele defende que provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental. O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra), lançado em julho de 2026, adapta parte da obra da poeta Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza.
Segundo Gravatá, poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram. "Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando", disse o escritor, autor de livros infantis como Converseiro da Natureza (Companhia das Letras) e Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo (Peirópolis).
Como a poesia de Orides Fontela fala com as crianças
Orides parte de elementos simples e cotidianos, um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca, um caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera. Com linguagem precisa, transformou uma nuvem em "a flor do céu". O organizador da obra, Augusto Massi, afirmou que a poesia de Orides compartilha com a infância o olhar investigativo e a liberdade de interpretação.
"Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas", disse Massi durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. A autora morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia.
Ilustrações que convidam à descoberta
A ilustradora Cynthia Cruttenden criou imagens que, em vez de óbvias, exploram formas, cores e movimentos para abrir espaço a múltiplas interpretações. "Não tem uma figura tão clara, ela está meio escondida ali dentro. São formas com cores fortes e movimento, que trazem uma dualidade das coisas", explicou. Para Massi, o projeto de ilustração foi "um acontecimento": as figuras querem sair do livro, têm força para não ficar encaixadas.
O papel do educador e do espaço cultural
André Gravatá lembra de uma ocasião em que uma criança lhe contou sobre ter conversado com a água. "Ela estava escovando os dentes e decidiu se declarar dizendo 'eu te amo' para a água. O que é isso senão um poema vivido no corpo?", questiona. Ele ressalta que as crianças amam ouvir poemas, especialmente quando quem apresenta tem paixão pelo que diz.
Para o poeta, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro", afirmou.
Flip 2026: educação e acesso à cultura
A 24ª Flip também contou com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival em Paraty. Direcionado a estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, o Circuito Cultural é um projeto do Instituto Motiva e ocorre em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A iniciativa planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo de 2026.
"Ao conectar as crianças e os jovens a museus, festivais literários e espaços culturais, a gente busca ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, criativos e preparados para construir seus próprios projetos de vida", disse Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva.
O Programa Educativo da 24ª Flip, que inclui Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas ao longo de quatro dias em Paraty, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura.
O livro como brinquedo
Gravatá conta que uma das cenas mais lindas que viu na Flip foi uma criança abraçada a um livro. "Ela folheava as páginas com os olhos brilhando, o livro era um brinquedo na mão dela!" Para ele, é essencial que desde criança exista uma relação afetiva com o livro, e a programação educativa dos festivais cumpre esse papel.
A ecologia silenciosa de Orides
Augusto Massi relaciona certas vivências da poeta à sua obra. Orides passeava muito com o pai e pescavam juntos. "A pesca exige silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas", disse. "Sem nenhum tom de denúncia, o livro da Orides é um livro ecológico", concluiu.
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Perguntas Frequentes
O que é o livro Pelos Olhos de Orides?
É uma adaptação da obra da poeta Orides Fontela para crianças, publicada pela Editora Hedra, que reúne literatura, arte e natureza.
Quem é André Gravatá?
Poeta e educador, autor de livros infantis como Converseiro da Natureza (Companhia das Letras) e Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo (Peirópolis).
Como a poesia pode beneficiar crianças?
Segundo André Gravatá, a poesia na infância alimenta a sensibilidade, o espanto e a capacidade de ver o mundo por outra perspectiva.
O que foi o Circuito Cultural da Flip 2026?
Iniciativa do Instituto Motiva que levou cerca de 270 crianças e adolescentes de comunidades locais para participar do festival, além de planejar atingir mais de 3 mil jovens em três estados.
Quantas pessoas participaram do Programa Educativo da Flip?
Mais de 15 mil participações em atividades gratuitas ao longo de quatro dias em Paraty.
Quem ilustrou o livro Pelos Olhos de Orides?
A ilustradora Cynthia Cruttenden, que criou imagens com formas, cores e movimento para estimular a interpretação livre.