# Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e permanece instigante

> Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completa 70 anos como obra literária instigante. O romance mantém relevância por sua complexidade narrativa e profundidade filosófica, analisada por especialistas como Eduardo Giannetti e artistas como Adriana Calcanhotto. A obra permanece um marco da literatura brasileira, desafiando leitores com sua linguagem inovadora e temas universais.

*Festa do Teatro · Análises e Críticas · 18 de julho de 2026 · Helô Sampaio*

Setenta anos após o lançamento, 'Grande Sertão: Veredas' segue instigante. Especialistas como Eduardo Giannetti e artistas como Adriana Calcanhotto analisam a força do clássico de Guimarães Rosa.

## Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e permanece instigante

Setenta anos após o lançamento, em 1956, 'Grande Sertão: Veredas' continua a desafiar leitores e a ser celebrado por especialistas. Para o professor, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Eduardo Giannetti, é um dos livros mais ousados e inovadores da literatura brasileira. A obra de Guimarães Rosa combina, segundo ele, um cuidado formal inexcedível com uma entrega criativa que o próprio autor descrevia como um experimento quase mediúnico. 'De repente, o diabo me cavalga', lembra Giannetti da expressão usada por Rosa.

## A gênese de um clássico: entre Paris e o sertão

A criatividade do autor mineiro era tamanha que, entre 1946 e 1956, produziu paralelamente 'Grande Sertão: Veredas' e 'Corpo de Baile'. Ambos foram concluídos e lançados em 1956, depois de começarem a ser escritos em Paris, continuarem em Bogotá e, em 1951, na volta de Rosa para o Rio de Janeiro. Segundo o jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor, 'Grande Sertão' era originalmente uma história do 'Corpo de Baile', que Rosa desmembrou e tornou um romance independente.

## A inspiração em uma viagem ao interior de Minas

A viagem com um amigo ao interior mineiro foi a inspiração para escrever a obra. 'Esse livro começou quando ele fez uma viagem pelo interior de Minas com o amigo Pedro Barbosa Moreira e percorreu toda a região de Veredas. Ele passou a usar esse ambiente das veredas e buritizais na obra dele', informou o biógrafo. Assim como Rosa levou dez anos para concluir o romance, Nossa passou o mesmo tempo pesquisando a vida do mineiro para a biografia 'João Guimarães Rosa, biografia'.

## O 'outro planeta' que era o Brasil

Quando o livro foi lançado, na Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio, em 16 de julho de 1956, recebeu muitas críticas, especialmente pela linguagem popular dos personagens, identificada como 'de outro planeta'. 'Os personagens que os críticos diziam que falavam como em Marte na verdade falavam como o povo do interior do Brasil. Mostrou que parte da intelectualidade desconhecia este "outro planeta", que é o Brasil', contou Nossa. Rosa disse uma vez que não inventou uma língua: 'Os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás falam assim'.

## A musicalidade que venceu as críticas

Ao mesmo tempo em que era considerado um livro difícil, destacou o jornalista, estava sempre entre os mais vendidos. 'Isso já em 56. O que ocorre é que a musicalidade no linguajar dos personagens causa muita empatia, tanto que é um livro que deve ser lido em voz alta porque com a musicalidade é fácil de entender', apontou. A cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que tem nas obras de Rosa uma fonte de inspiração, destacou que se o escritor não tivesse usado a linguagem no livro, correria o risco de não ter mais registros daquela forma de falar popular.

## Universal por ser tão regional

'É uma leitura obrigatória. Grande Sertão é um livro que todo mundo tem que ler pelo menos uma vez. Quando você lê ele mais de uma vez, e é um clássico, por isso, é outro livro e a gente é outra pessoa depois disso', disse Calcanhotto, destacando ainda a aceitação mundial da obra. 'É uma coisa louca que seja mundialmente, porque é difícil tradução. É um livro que interessa ao mundo todo, exatamente por ser tão regional e universal. Cada ano que passa, ele só cresce', observou.

## Perguntas Frequentes

### O que torna 'Grande Sertão: Veredas' um livro tão inovador?

Segundo Eduardo Giannetti, a obra combina um cuidado formal inexcedível com uma entrega criativa que Rosa descrevia como um experimento quase mediúnico, resultado de uma possessão criativa.

### Quanto tempo Guimarães Rosa levou para escrever 'Grande Sertão: Veredas'?

O autor levou dez anos para concluir o romance, entre 1946 e 1956, período em que também produziu paralelamente a coletânea de novelas 'Corpo de Baile'.

### Quem é o biógrafo de Guimarães Rosa?

O jornalista Leonêncio Nossa é o autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro, intitulada 'João Guimarães Rosa, biografia', publicada após dez anos de pesquisa.

### Por que a linguagem do livro foi criticada na época?

Críticos identificaram a linguagem popular dos personagens como 'de outro planeta', mas Rosa sempre afirmou que os vaqueiros de Minas Gerais, Bahia e Goiás falavam daquela forma, revelando um desconhecimento da intelectualidade sobre o Brasil real.

### Onde e quando foi o lançamento de 'Grande Sertão: Veredas'?

O lançamento ocorreu na Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro, no dia 16 de julho de 1956.

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Fonte (canonical): https://festadoteatro.com.br/analises-e-criticas/grande-sertao-veredas-faz-70-anos-permanece-instigante/
