Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty
No Dia da Mulher Negra, Angela Davis participou da Flip 2026 em Paraty. Em conversa com Flávia Oliveira, a ativista citou pensadores brasileiros como Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação e o racismo ambiental na cidade, e defendeu a re
Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, também celebrado como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, a ativista e pesquisadora Angela Davis foi um dos destaques da programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em evento público e gratuito no Sesc Caboré, ela conversou com a jornalista Flávia Oliveira como parte da programação paralela da Festa, encerrada no domingo (26).
Angela Davis e a crítica à gentrificação em Paraty
Angela Davis denunciou o processo de gentrificação e racismo ambiental em Paraty. "Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental", disse. Ela afirmou que jovens locais estão preocupados com o meio ambiente e que tentam "criar meios para ganhar mais lucro, tirando as pessoas das suas terras, das terras dos seus ancestrais". Gentrificação é o processo em que a valorização de um bairro eleva o custo de vida e expulsa moradores mais pobres para regiões periféricas.
A ativista relatou que conversou com a comunidade local e destacou o papel da literatura em influenciar mudanças. "Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças", afirmou.
Pensadores brasileiros citados por Angela Davis
Com mediação de Flávia Oliveira, Angela Davis citou três pensadoras brasileiras:
- Beatriz Nascimento: "Quando ela falou 'eu sou atlântica', ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco."
- Lélia Gonzalez: "Eu amo a Lélia Gonzalez", disse, destacando o conceito de Amefricanidade, que reconhece que a luta negra não pode acontecer sem o povo indígena. Ela chamou Lélia de "crítica do capitalismo".
- Conceição Evaristo: Angela agradeceu a presença da escritora mineira na plateia e afirmou que ela está no mesmo patamar de relevância de Nina Simone e Toni Morrison.
A ativista comentou sobre a "escrevivência", conceito criado por Conceição Evaristo, e mencionou que demorou para reconhecer que pessoas negras precisam contar as próprias histórias. "Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal."
Crítica ao capitalismo e aos trilionários
Angela Davis criticou o capitalismo e os trilionários, afirmando que eles "não representam o futuro do planeta". "Devemos considerar que essas pessoas são o motivo pelos quais a vida é tão difícil para tantas outras pessoas no planeta. O capitalismo acaba lucrando mais." Ela enfatizou que a exploração e destruição atingem recursos naturais e seres humanos.
Redução da jornada de trabalho e inclusão nas universidades
Angela defendeu a redução da jornada de trabalho para permitir mais lazer e acesso à cultura, citando exemplos na Europa. Sobre a inclusão de pessoas negras nas universidades, ela lembrou que, na primeira vez que visitou o Brasil, "havia poucos negros na universidade". Ela viu mudanças na Bahia e celebrou: "Nós conquistamos essas vitórias, mas não nos acomodemos com essas vitórias. Temos que continuar lutando."
Prisão, fascismo e luta coletiva
Angela rememorou sua prisão sob falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio, perseguida por seu ativismo no Partido Comunista e nos Panteras Negras. Ela disse que a maior parte do que fez foi porque a prisão lhe trouxe evolução. "Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia", afirmou.
Sobre o fascismo, ela disse que "está emergindo na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, mas não entre o povo". Citou as eleições no Brasil, mencionando que não se pode permitir que candidatos alinhados ao fascismo sejam colocados no poder.
Luta pela Palestina e violência de gênero
Angela lembrou que participa da luta em defesa da Palestina desde a década de 60. "Uma das vantagens de a gente ficar velha é que a gente acaba reconhecendo que as coisas podem mudar", disse. Sobre violência de gênero, citou a violência do Estado além da violência doméstica.
Perguntas Frequentes
O que Angela Davis disse sobre gentrificação em Paraty?
Ela denunciou o processo de gentrificação em comunidades pobres, afirmando que tentam tirar pessoas de suas terras para obter mais lucro.
Quais pensadores brasileiros Angela Davis citou na Flip?
Ela citou Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo, destacando seus conceitos e contribuições.
Angela Davis criticou o capitalismo na Flip?
Sim, ela criticou o capitalismo e os trilionários, afirmando que eles exploram a terra sem pensar nas consequências.
O que Angela Davis disse sobre redução da jornada de trabalho?
Ela defendeu a redução para permitir mais lazer e acesso à cultura, citando exemplos na Europa.
Angela Davis falou sobre inclusão nas universidades no Brasil?
Sim, ela celebrou as mudanças que viu na Bahia e incentivou a continuidade da luta.
O que Angela Davis disse sobre a prisão?
Ela afirmou que a prisão lhe trouxe evolução e que foi moldada pela experiência com as mulheres encarceradas.