# Exposição reelabora terror com obras de artistas LGBT+ em Fortaleza

> Exposição "Terror celestial" no Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, reelabora o imaginário do medo como força criativa da população LGBT+. Com 24 artistas de múltiplas linguagens e curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra abre no sábado (18) e propõe uma ressignificação do terror.

*Festa do Teatro · Análises e Críticas · 20 de julho de 2026 · Flávio Negrão*

Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, recebe a partir de sábado (18) a exposição "Terror celestial", que reelabora o imaginário do medo como força criativa da população LGBT+. Com 24 artistas de múltiplas linguagens, a mostra tem curadoria de Lucas Dilacerda e s

O Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, recebe a partir deste sábado (18) a exposição "Terror celestial", que propõe reelaborar o imaginário do medo e do terror como forças de criação da população LGBT+. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra segue até o dia 4 de outubro e reúne obras de 24 artistas de diferentes linguagens.

A exposição "Terror celestial", no MAC Dragão em Fortaleza, reelabora o imaginário do medo como força de criação da população LGBT+. Com curadoria de Lucas Dilacerda, reúne obras de 24 artistas em três linhas curatoriais: Monstros e quimeras, Espiritualidade terrena e Terror das formas. A mostra vai até 4 de outubro.

## Curadoria investiga a monstruosidade como criação

O curador Lucas Dilacerda afirmou à Agência Brasil que a proposta é abordar a relação histórica da comunidade LGBT+ com o terror. Segundo ele, a sociedade classifica essa população como figuras anormais, "monstros", "estranhas" e "aberrações", o que gera traumas que se reverberam na vida adulta. A exposição investiga como esse imaginário é reelaborado pelos artistas, transformado em produção artística.

Dilacerda explicou que o ser humano frequentemente descarrega medos inconscientes no "outro", projetando na população LGBT+ a imagem de "anormal" para se autoafirmar como "normal". Os filmes de terror seriam um exemplo dessa transfiguração do medo em monstros. Na mostra, esse imaginário é ressignificado: "não mais como uma força de violência, mas como uma força de criação".

## Mapeamento selecionou artistas com interseccionalidades

Para chegar ao formato final, o curador desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa sobre a produção de artistas LGBT+. Na fase inicial, o mapeamento reuniu quase 300 portfólios. Foram selecionados artistas com interseccionalidades de raça, território e geração, além da multiplicidade de linguagens. "É importante que mostre que não existe uma única cara de pessoas LGBT", disse Dilacerda.

A exposição conta com recursos de acessibilidade: textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa. Eles podem ser acessados por plataforma digital, QR Code ou com auxílio da equipe educativa.

## Três linhas curatoriais organizam a mostra

"Terror celestial" é estruturada em três linhas curatoriais. A primeira, "Monstros e quimeras", apresenta obras que discutem a monstruosidade como aquilo que transcende o entendimento sobre a humanidade. As obras abordam o cruzamento dos reinos animal, vegetal, mineral, dos encantados e das forças sobre-humanas. Participam Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany.

A segunda linha, "Espiritualidade terrena", aborda a religião, marcante na vida de pessoas LGBT+. Se a religião cristã foi espaço de violência, pessoas LGBT+ buscam outras formas de conexão espiritual. A curadoria apresenta saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas, com obras de Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel.

A terceira linha, "Terror das formas", parte do conceito de "terrorismo de gênero", aqui sinônimo de desobediência e criação de outras formas de existir. As obras de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho "assustam a gramática normativa das artes", segundo o curador.

## Multiplicidade de linguagens e materiais

Dilacerda destacou que a exposição reúne pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, performance, objeto e instalação, com materiais como barro, cerâmica, giz, grafite, sal, terra, óleo e óxido de ferro. A diversidade de suportes reflete a multiplicidade de expressões artísticas da comunidade LGBT+.

## Perguntas Frequentes

### Onde fica a exposição "Terror celestial"?

No Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza.

### Quando termina a exposição?

Até o dia 4 de outubro.

### Quantos artistas participam?

24 artistas de diferentes linguagens.

### Quais são as linhas curatoriais?

Monstros e quimeras, Espiritualidade terrena e Terror das formas.

### A exposição tem acessibilidade?

Sim, com textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa.

### Quem é o curador?

Lucas Dilacerda.

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Fonte (canonical): https://festadoteatro.com.br/analises-e-criticas/exposicao-reelabora-terror-obras-artistas-lgbt-fortaleza/
